21 de abril de 2014

Quinze – Férias... Havaí

Uma semana se passou desde que recebi a notícia que Zac estava paraplégico. Como ele iria precisar de cuidados especiais, comprei uma casa totalmente adaptada para ele, com mais espaço dando livre acesso para ele se locomover sozinho pelo local. Era uma casa simples, do jeito que ele gosta. Com cores neutras e mobília moderna. No lugar da escada, que dava acesso ao segundo andar, havia uma rampa com um corrimão. Tudo estava adaptado a altura de Zac na cadeira de rodas. Estávamos morando juntos novamente. Decidi que dar um tempo na minha carreira e me dedicar exclusivamente ao Zac.

-Nessa!

Ouvi Zac me gritar do andar de cima. Um grito sofrido, de dor. Desliguei a chama do fogão rapidamente e corri para nosso quarto. Quando cheguei vi Zac caído no chão chorando. Mais que depressa, corri para perto dele e o ajudei a se sentar.

-Amor, o que aconteceu? Como você caiu?

Perguntei preocupada. Ele apenas chorava. O abracei fortemente, o que só fez seu choro aumentar. Com delicadeza, afundei meus dedos em seu cabelo, fazendo um carinho terno.

-Ei,calma Zac. Eu tô aqui. Não precisa chorar, amor.

Continuei lhe fazendo carinho até ele se acalmar. Quando suas lágrimas já não caiam mais, o ajudei a se sentar na cadeira de rodas, para logo depois o colocar em nossa cama.  Me sentei, e coloquei sua cabeça em meu colo e olhei atentamente seus olhos.

-Agora que você tá mais calmo, me fala. Por que você caiu no chão?

A pergunta saiu um pouco séria demais, talvez até mesmo grossa, mas poxa, eu estava mega preocupada com ele!

-Eu... Eu só queria pegar meu boné que tava pendurado ali. E parecia tão fácil. E... Eu não queria te incomodar mais do que já tô incomodando.

Ele não olhava em meus olhos. Talvez por medo. Talvez por vergonha. Mas foi ali que pude sentir o quão vulnerável Zac estava. Ele só estava tentando ficar independente de novo. E ele não queria me incomodar. Isso partiu meu coração. Zac nunca me incomoda. Eu gosto de cuidar dele.

-Zac. Por favor. Não diga mais isso. Eu sei que você quer ser independente novamente, mas, por favor, não diga mais isso. Você não me incomoda, meu amor. Você sabe que não pode se esforçar desse jeito. Sabe que ainda não consegue ficar de pé. Não precisa se envergonhar pra me pedir pra pegar algo que você não alcança. Eu não me importo. Você sabe que eu tô cuidando de você porque quero. Não sabe?

-Mas Nessa... Você deixou sua carreira por minha causa. Tá deixando de viver sua vida pra ficar cuidando de um inválido, de um inútil. Sabe, sonho eu te ter pra mim de novo desde que terminamos e agora que te tenho não presto pra nada. Isso não é justo com você. Você é jovem, é linda, merece ser livre. Nessa, se você não quiser mais ficar comigo eu vou entender...

Não o deixei  terminar de falar e me abaixei colando nossos lábios. Só de pensar na hipótese de deixá-lo, meu coração doía. Será que Zac não entendia que eu o amava mais que minha própria vida?

-1º) você não é um inválido e muito menos um inútil. 2º) você é mais importante que qualquer coisa nesse mundo. A minha carreira é o de menos. E 3º) eu te amo, nunca iria de deixar por causa disso. Zac coloca nessa cabecinha que agora nada vai me tirar de perto de você. Agora que estamos juntos, não vamos nos separar nunca mais. Entendeu?

Segurei seu rosto entre minhas mãos, fazendo-o me olhar.

-Entendi, Nessa. Você não existe. Eu te amo tanto.

-Você sabe que também te amo.

Dei um selinho nele e o ajudei a se deitar direito na cama, para logo depois me aconchegar em seus braços. Ficamos namorando por um bom tempo. Beijos molhados. Carícias por todo o corpo, mas sem segundas intenções.

-Amor... Eu tava pensando... Você vai começar seu tratamento daqui três semanas então eu pensei que seria legal se agente fosse passar uma semana de férias no Havaí. Sabe, pra você relaxar... Voltar mais animado. E também pra gente relembrar e aproveitar um pouquinho do nosso namoro. O que você acha?

- Acho uma ótima ideia. Mas... Nessa. Eu tô numa cadeira de rodas. Vai ficar muito trabalho pra você fazer sozinha. Aqui tem nossas mães e a Ash pra te ajudar, mas lá...

-Ei, não se preocupe, eu consigo cuidar de você sozinha meu bebezinho.

Apertei suas bochechas para logo depois mordê-las de forma carinhosa. Zac riu e apenas me apertou em seus braços, num abraço quente e aconchegante.

-Just give me a reason /Just a little bit's enough/Just a second we're not broken just bent/And we can learn to love again/It's in the stars/It's been written in the scars on our hearts/We're not broken just bent/And we can learn to love again.

Comecei a cantar num sussurro Just Give Me A Reason no ouvido de Zac. Minha respiração quente batia em seu pescoço, o fazendo arrepiar. Enquanto cantava olhando no fundo de seus olhos, fazia carícias circulares em sua mão que estava entrelaçada na minha. Segundos depois, notei que ele já dormia profundamente.


Com cuidado, tirei sua calça de moletom e sua camiseta, o deixando apenas de boxer. Também tirei meu short e minha blusa, ficando apenas de peças íntimas. Mesmo quando não temos relações, eu e Zac gostamos de dormir assim. Gostamos de sentir o calor de nossos corpos se fundindo. E essa noite não foi diferente. Me aproximei de Zac, já debaixo das cobertas, e o senti me abraçar por trás pela cintura. E foi sentindo sua respiração quente e calma em minha nuca que adormeci. 
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Obrigada mais uma vez a Thata, Paula, Anne e Bia por comentarem. E gostaria de avisar que por enquanto a fic vai continuar um pouquinho mais romântica e cheia de miminhos. Depois de alguns capítulos, vão acontecer algumas coisas que irá deixar isso uma pouco de lado. Espero que tenham gostado girls,beijos.  

7 de abril de 2014

Quatorze - Notícias

Acordei com a cabeça latejando de dor. Olhei em volta e vi que eu estava numa cama de hospital. Mamãe estava ao meu lado. Rapidamente, me veio à tona a imagem do médico desligando o aparelho de Zac. Meus olhos se inundaram de lágrimas e a dor forte e aguda voltou a preencher todo o meu interior.

-Mãe?- sussurrei seu nome com a voz embargada.

-Sim, filha? Está melhor? – ela se aproximou de mim e me beijou a testa.

-Mãe, o que fizeram com o Zac? – voltei a chorar.

Mamãe me abraçou bem forte e a dor que eu estava sentindo aumentava a cada segundo.

-Meu amor, não chore. Está tudo bem.

-Não, mãe. Não está tudo bem. Zac está morto. Como a senhora quer que eu não chore? Acabei de perder o amor da minha vida! Ele se foi pra sempre. Ele me abandonou.


-Vany, minha filha, se acalme. Zac não te abandonou. Ele está vivo. Segundos depois de você desmaiar, os sinais dele voltaram.

- O que? Como? Então Zac está bem?

Meu mundo se encheu de cor e vida. Zac estava vivo. Ele não me deixou.

-Temos que conversar meu amor. Bom, logo depois de você desmaiar Zac voltou a respirar, porém ele ainda está inconsciente. Ele apenas consegue respirar sem a ajuda de aparelhos. Mas ainda não há o que fazer. Temos de esperar que ele acorde.

-Mas isso já é alguma coisa, mãe. O que importa é que ele está aqui. Eu quero vê-lo.

Me levantei da cama apressadamente. Senti uma leve tontura, mas que logo passou.

-Calma aí mocinha. Vem que eu te ajudo.

Mamãe me abraçou e me levou ao quarto de Zac. Ele aparentemente estava bem. Seu rosto estava mais sereno. Fiquei horas ali, ao seu lado, apenas o olhando dormir e agradecendo a Deus por ele estar vivo. Já estava de noite e eu saí para comer um pouco. Quando voltei, Zac estava com os olhos abertos. Nem acreditei! Mais que depressa corri para perto dele e o abracei.

-Amor, você acordou. Oh meu Deus, obrigada.

Ele sorriu pra mim e me beijou carinhosamente. Que saudade daquele beijo. Ficamos ali namorando por longos minutos, até ele me dizer que queria ir ao banheiro. Mas aí algo inesperado aconteceu. Zac não conseguiu mover suas pernas. Ele tentou e eu o ajudei, mas ele disse que não sentia nada.

Rapidamente chamei o médico para examiná-lo. Depois de vários exames realizados, a família toda já estava reunida ali e a grande notícia foi dada: Zac estava paraplégico.
Ficamos boquiabertos com a notícia. Zac não conseguia acreditar. Notei em seus olhos uma grande tristeza o abater. O brilho que havia em seu olhar desapareceu por completo. Acho que fui a única a perceber tal coisa.

Aos poucos todos foram se retirando, ficando apenas Zac e eu no quarto. Ele estava de cabeça baixa. Sentei ao seu lado, na beirada na cabeça e passei minha mão por seus cabelos loiros e macios. Ele continuou olhando para as próprias mãos e então coloquei dois dedos em seu queixo, o levantando delicadamente. Assim que seus olhos bateram nos meus, notei lágrimas sofridas sendo impedidas de cair.

-Zac. Amor...

Aproximei nossos rostos. Rocei meu nariz no seu para logo depois, distribuir pequenos beijos por toda sua face. Testa, olhos, bochechas, nariz, queixo e por fim a boca. O beijo aconteceu de uma forma tão terna, que senti meu corpo amolecer nos braços de Zac. Segundos depois o beijo ficou salgado e logo notei que Zac finalmente havia deixado que as lágrimas caíssem. Fui separando nossos lábios com pequenos selinhos e quando estávamos literalmente afastados, peguei sua mão e a beijei.

-Amor... Eu sei que você tá triste. Imagino o que você deve estar sentindo. Bom, na verdade eu imagino que seja uma coisa horrível, mas...

-Eu não quero que você me deixe, Nessa.

Sua revelação me deixou perplexa. Então era por isso que ele estava assim? Ele estava com medo que eu o deixasse por ele estar paraplégico?

-Ei, olha pra mim. - segurei seu rosto entre minha mãos o fazendo olhar no fundo de meus olhos- eu não vou te deixar amor. Você não sabe como eu to feliz por você estar aqui. Não importa que esteja paraplégico. Não importa se estivesse sem um braço ou sem uma perna. A única coisa que me importa é que você está aqui. Aqui comigo. E eu vou cuidar de você. Vamos enfrentar tudo juntos. Vou te levar às fisioterapias. Vou fazer o que for preciso para te ajudar. E não se envergonhe por isso. Você foi é meu herói. Se não fosse por você, eu estaria morta. Você me salvou Baby Boo. E eu te amo tanto e continuarei te amando até depois do fim.


Ele não disse nada, apenas deixou um lindo sorriso se abrir em seus lábios. Retribuí o sorriso e tratei de colar nossos lábios dando início a mais uma longa sessão de beijos, carinhos e cheirinhos.
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Aqui está um capítulo quentinho pra vocês. Espero que gostem! Julie, Stephanie, Paula, Thata e Margarida obrigada por comentarem. Vocês são uns amores,hehe. Kisses =*